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sábado, julho 28

# 90



Ainda, esta semana me custou, mas percebi, um pouco mais o que significa gostar, gostar de alguém, de um país, do mar da sua natureza selvagem, rebelde e misteriosa, o que significa defender os nossos ideais, os nossos mais profundos valores, da família, dos amigos, do que significa, ficar de fora, quando por opção, adulta e criteriosa, nos é dito que não, quando por opção adulta e criteriosa se organizam e fazem-se guerras, quando por opção adulta e criteriosa, me salvaguardo os sentimentos de compaixão com o próximo, enfim:

- Adultos, que significa isso, que cada vez que falamos temos de assinar por pequeno o nosso documento, e levar debaixo do braço, a nossa palavra, contra tudo e contra todos, e aquando, da imensidão e do desespero, a nossa própria condição mais tarde nos diz, que lutamos contra nós mesmos? E aí quem nos irá salvar? Uma musica, uma canção? Talvez.

Talvez sim, ou apenas, talvez demore o não.

A Beatriz, é uma canção do Chico Buarque, a ideia que me traz, é a da curiosidade, de conhecer alguém de quem se gosta, aquela pessoa, que tanto me diz, e nada me dá,e por essa razão fico de fora, como um adepto do futebol, que ouve fora do estádio, o ressoar da multidão aquando do golo, da sua equipa de coração. Dá-lhe co’a alma!

terça-feira, julho 10

compreendo


Olá pessoal, que tal vai tudo?

Tenho andado em devastação laboral, estou a conhecer mais coisas novas todos os dias.

Com todo esse carrossel de realidades, recente, a paixão aí investida liberta a pouco e pouco, igualmente o meu carácter, daí, ter hoje considerado, escrever cá neste sítio da UALG que me dá imenso prazer.

É tão fácil deixar cair em desacostume, todas as qualidades que se nos propusemos a melhorar, de que forma é que isso acontece? Perguntam vocês: ora, em função do trabalho, serviço esse que me enriquece, como homem, como pessoa, como eu sempre quis que fosse.

Mas, esse cansaço, de que tanto me falavam: - falas assim agora, quando trabalhares quero ver essa energia toda! Existe, e…

Por muito que me custe a admitir, tenho andado com o cansaço, tenho tido o corpo mais pesado, tem sido mais difícil, dizer que sim, a todas os acontecimentos.

Mas tenho dito que sim às coisas, que me fazem bem, tenho feito um esforço, procuro por este meio dizer, que estou em batalha interna, se me ajudarem, será um tremendo acto de coragem, já que sinto a força cá dentro, e só não pus já o próximo capítulo da viagem à Europa, por que me sinto bem, e acho que sim.

Que tenho cá dentro de mim a inspiração, revejo-me nos meus e não me desiludo, vou procurando entender, aprendo, aprendo e compreendo.

quarta-feira, julho 4

Hummer


The Smashing Pumpkins

Passei primeiro por Roterdão IV


(...)Resignado, com a condição de querer aventura – querias aventura!? Agora joga! Ia saber o que me esperava, ao subir as escadas, de caminho, para a minha habitação.

Enquanto galgava os degraus, ia percebendo estrondos, de portas a desancar, estranho, não fazia sentido, o recepcionista tinha sido claro, nesse assunto: – não se pode fazer barulho, ok!? - Ok.

Numa atitude de, borá lá pessoal, cuidei, vem um português, hoje, vai ter de haver chinfrim, estes holandeses, talvez haja estranhezas, ao subir o segundo lance de degraus pude enfim presenciar, agora, via com esses olhos, os meus olhos, o estrondo, donde ele vinha?

Um tipo, mal encarado, possante, nos seus quarenta anos, talvez menos, ao estilo dos cavaleiros da estrada, das Harley Davidson, entre o género Hells Angels ou assim semelhante, cabelo crescido, seboso, com fortes entradas, todo tatuado, em cuecas, ah pois, aquilo era tudo dele, rijo o suficiente, para se bater num mano a mano, ou talvez mais, abria as portas do hotel, sem que ninguém lhe fizesse frente.

Ao subir os degraus, agora, degrau a degrau, cada vez mais inquieto, aconteceu, estava ali, olhei-o de frente, vacilei, não sei olhar de outra forma, tenho de trabalhar isso ainda, estava ansioso, talvez não esteja no teu quarto, foi o que me deu para pensar, o ímpeto para desvendar qual seria o cenário.

Nada fiz, tentei não me precipitar sobre isso, procrastinei, fui ver onde eram as casas de banho, preparar o dia seguinte, procurar um cacifo, que agora era mesmo inevitável, para deixar o saco.

O indomesticável, desapareceu, numa casa de banho, dentro de uma das portas que maltratava, aquando da passagem.

Pagava-se, para deixar o saco no cacifo, paga-se tudo, numa sala vazia, onde se ouvia o trepidar de baixa sonoridade da luz eléctrica, de uma máquina de jogos, ali espetada, na cave.

Abaixo da recepção, a sala, era composta por uma cozinha, conjunta, unida, mas sem sinal de vida, àquelas horas não se cozinha, uma máquina de Pimble, uns cinzeiros com restos de charros, beatas de cigarros de enrolar, radicalmente carbonizados até às unhas, eram o testemunho de que o homem tinha andado ali, eram à volta de quarenta cacifos, guardei o meu saco maior, levei comigo a mochila, com os meus documentos e dinheiros.

Voltei a subir, desta feita mais brando, nas escadas, cruzei-me com um grupo de miúdas, vinham de uma saída de copos e disco, cinco raparigas, de traços suaves, que me olhavam, como um homem sedento de água, olha para um oásis no deserto, meninas dos papás, estavam em viagem pela Europa, aparentavam um estado de realidade bem diferente do meu, ébrias, mal sabia eu, o que ainda estava para descobrir, iam dormir, rir, dormir, rir de tão contentes que se lhes tinham posto as ganzas de Roterdão, provavelmente, ficavam reunidas num só quarto, sem esquisitos.

terça-feira, julho 3

Chão


Eu não olho
Eu não minto
Eu não espero
Eu não sinto
Eu não mando
Eu não sofro
Eu não grito
Eu não falho
Eu não ligo

Vejo o dia a andar
Procuro saber se eu sou
Mais uma pedra no mar
Só para saber onde eu estou
Para te poder abraçar

Esqueço que morro
Esqueço que passo

Vivo cada dia vazio de abraços
E lá vem a onda
A onda que me leva aonde uma acaba
Aonde tudo começa outra vez

Vejo o dia a andar
Procuro saber se eu sou
Mais uma pedra no mar
Só para saber onde eu estou
Para te poder abraçar

Oh por favor
Diz-me se isto é chão
Fala-me de amor
E dá-me uma canção

segunda-feira, julho 2

Tinariwen


é isso capitão, está aí o som do além, o segredo desta merda toda está na música, beijos, abraços e boa semana.

domingo, julho 1

Bonomia


"Qualidade do homem que é bom, afável, simples e crédulo."

Esta semana foi bem amalucada, conheci o festival med em Loulé, med vem de mediterrâneo, é um festival no mínimo sui generis, pela localização, no centro velho, da cidade de Loulé, confere um grau de antiguidade, ao evento.

É um acontecimento preenchido, e bem, por toda a gastronomia, igualmente do mediterrâneo, alcançando a Grécia, passando por Portugal, até aos antigos, do Egipto.

A parte que mais me agrada, nestes acontecimentos, é sem duvida, a descoberta, a descoberta de nós mesmos, de pessoas, sabores, de novos e diferentes sons ou formas de expressão artística, contudo, não posso deixar de frisar, que a maioria das pessoas, que lá encontrei, tinham um brilho no olhar, as miúdas, estavam lindas, que quase chega a ser sensual, romântico, sexualidade.

Faz bem à pele, ir ao festival med, ainda temos mais festivais para ver este verão, como o festival de musicas do mundo em Sines, o qual descobri, através da minha amiga Inês, há dois anos, onde a surpresa foi geral, ainda me lembro de estar à beira da praia, a tentar comprar o meu jantar, naquelas filas de tempo ilimitado, e sentir um balanço, nada frequente, uma toada que aliava o rock ocidental, à tradicional, cadência rítmica africana, deveras forte.

- Quem são estes gajos? Perguntei. - Ba Cissoko. Respondeu o João. - Donde vêem?
Tornei a questionar. - Da Guiné Conakry. - Muito bom! Verbalizei fechando o diálogo.

Foi bonito, uma massa de ocidentais, aos pulos, num recreio de ritmos, batidas, e vibrações jogando com a banda africana, sentia-se tudo em transe, naquela grandeza tudo era possível, tudo era possível, todos éramos um só.

Sou muito forte, como tal, levei a minha mamã a ver hoje o último dia de concerto, lá fomos os dois, duo Angola Brasil, agradável, já que a mãe é de Angola, teve tudo a haver.

Mas, sabem como é, muita gente, malandragem jovem, tudo a ocupar espaço, não havia cadeiras, tive de agir, batalhei, não obtive sucesso, diziam-me: esta está ocupada.

Ai meu Deus, que me estava já a irritar, a determinação das pessoas, a defender o que não era de ninguém, enfim, não me deixei aborrecer, agarrei no engenho, e á boa moda portuguesa, levei de vencida a guerra.

Oh amigo, desculpe lá é que tenho ali a minha mamã de pé, arranja-me uma cadeirinha? Por favor? - Pode levar o prato e tudo se quiser. Respondeu o cozinheiro, sim. Ataquei a parte da retaguarda dos restaurantes, do Palco Bica, onde a noite anterior, tinha terminado, com uma serenata de jazz.

Sentei a senhora mãe, fui procurar uma cerveja de pressão, uma imperial, a da glória, apreciei cada golada, agora, residia no meu mais cuidado bem-estar, harmonia, as famílias acompanhavam com palmas, os ritmos brasileiros, das duas guitarras clássicas, os brasileiros chamam violão, conseguia gozar, enquanto sorvia as palavras do português do Brasil, que bem que se está no Algarve, pensava, ou em Loulé, é isso mesmo, ele há dias assim.