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quarta-feira, fevereiro 25

um cantinho um violão


Miúdo trouxe esse orgulho, que me fazia crescer quando me sentisse encostado ás cordas…

- Quando te sentes encostado ás cordas?

- Ora quando me querem ver o que trago cá dentro, que tanto lutei para proteger de toda a burrice e ignorância em que vezes sem conta me afoguei e cedi, quando me lançam expectativas de certezas em planos de vida e carreiras socioprofissionais, quando me dizem que o meu tempo está a acabar com segundas e terceiras intenções quando me mostram o que é o prazer que envolve a luxúria e as suas unhas rasgam-me a pele rompendo as tripas que são sustento do meu coração, e eu dou tudo, entrego tudo dentro da boa fé numa tentativa desesperada e lúcida de loucura e piela que a fé no amor seja mais forte;

Quando compreendo que vamos apodrecendo aos poucos, quando só eu suporto o cheiro da febre que é navegar em rios lentos e lamacentos de ilusões, que o meu tempo é uma procura de fome cuja comida não termina, num corrida de obstáculos cuja a gravidade da Lei de Newton me balança em duas metades da maçã, agora és leve e livre, agora és pobre e seco, como o fruto que não semeia mais que o instante, híbrido.

Esse miúdo que me mastiga a consciência que insuflo todas as manhãs com o espírito de meus pais e que sempre me esmagam as constantes fraquezas, inatas do homem que é ser completo num mundo que nunca quis que fosse o meu.

Quando sei que emagrecer é acreditar que tem alguém ao meu lado um ser maior e que engordar é ver o caos e antecipar o verde depois da queima.

É assim que me sinto quando sei que o amor é que me faz assumir e tomar as rédeas do xadrez, sei que o espírito é poesia de livros de cores e sons que me iluminam o mar de pesadelo.

Faço dos meus buracos escuros, espaços de folia, porque não estamos sós, porque não somos só nós.

quinta-feira, fevereiro 19

O tal canal


O olfacto, o meu tacto, os sentidos pertencem-me quando me predisponho a tanto, que no entanto deve de ser o elementar o que é de fundo necessário.

Nas leituras de páginas que se alternam, sem que nos possam dizer quando e que forma virá a tomar o futuro, nada depende de nada, tudo como que se desvenda, per se, em nosso leito, pairam as demais interrogações, em nosso leito vão-se também queimando algumas ilusões, descrença é um monstro que quero combater com todos os amigos que de facto curso reconhecer (queira Deus).

O mar deixa de ser o mar, passa a ser a praia um espelho do que outrora costumávamos ser, a noite deixa de ser a noite hoje quando saio, e passa a ser onde encontro-me noite após noite com os ressentidos de uma guerra (a vida é bela nós é que damos cabo dela), que tem de ser travada a todo o custo.

Onde sem probabilidade matemática, por vezes dou comigo a escutar de perto velhas mágoas de um antigo camarada de turma, resumindo-me a sua vida breve, até aquele instante num devaneio de experiências banais e que em nada me vêem enriquecer, sublinhadas pela calma e normalidade como fundamentos da experiência até aqui adquirida.

São ideias de outras vidas noutros lugares como um livro de histórias, não é o meu final de dia. Também não me empobrece é mais um canal. O tal canal. Quase não compreendo mas aceito, ou vou aceitando, enquanto cá ando. Por mim, principalmente por mim.

Vou me inventado novamente reinvestindo em quem me conhece. Vou deixar estar, indo focado em mim cada vez mais devagar numa profunda e calma busca, a cada passo lento me procuram e eu a cada passo lento me descubro.