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domingo, junho 21

Qual Ponte sobre o mar, oh mar


Aqui como noutro lugar, não é urgente chegar o que é preciso é viver, saber que há quem nos vê e reconhece de uma forma sui generis de um modo só seu, não nosso, evitando assim que nos tornemos numa pessoa consumada apenas à sua própria imagem.

Estimulando de forma honesta com outros fundos e olhares, que sejamos alguém que representa uma pessoa inteira e completa de miúdas realizações, sem que tal nos avolume o ego de forma exagerada, senão com uma boa dose de estima.

O mar separa gentes, povos os mais diversos costumes e almas de crentes, cantar, ouvir, falar, e sentirmos é transporte que a gente procura, para chegar ao outro lado de cada qual, todos temos a nossa cara-metade, a outra margem de nós.

Temo que, pelo menos mais que uma vez a tenha conhecido, a minha cara-metade, e morrido de amores numa outra vida, todavia nesta vida apenas luto para aprender a ser um pouco mais, e viver um dia a seguir ao outro.

Aprendo a gostar de quem sou, a gostar das manhãs e dos bons dias que dou e recebo. Aprendo a gostar de saber dizer não sem que me preocupe com o que vem depois, sem que se me esmoreça a presença ou o espírito de grupo, “sei lá, a vida tem sempre razão, só sei que é preciso paixão”.

Desejar-te é querer saber quem sou, talvez por isso me maltrato. Quando não te agarro de frente com as duas mãos em sinal de grande. Porque quase nunca ouço nada, sem música ou harmonia no meu juízo. Agora escuto, escuto e leio sempre..., antes de atravessar, fiz-me amigo do medo, até com ele me enfadar!


Esta música é no mínimo interessante, se já vais compreendendo os passos que ainda vais dar...

domingo, junho 7

Alto Hama


Os dias têm passado de uma forma que me tem agradado, estou com episódios que carregam alguma riqueza de cultura.

Já que fiz viagens a lugares que só ouvia falar em pequeno, lugares em que houveram guerras de posse sobre algumas cidades como é o caso da cidade do Huambo, a quem os antigos se referem como a Nova Lisboa, que coisa por que não lhe chamaram Novo Rio de Janeiro pergunto-me se assim não lhe teriam dado o charme e o jeitinho esperto para se livrar das garras do mal que lhe assolaram, e ainda hoje se denotam nas fachadas de alguns prédios picotadas de marcas de munição de todo o tipo.

Ainda penso nos mais de seiscentos quilómetros que percorri de Luanda ao Huambo, e na tristeza que me fazia pensar ao reparar que aldeias de cinquenta pessoas separadas de outras aldeias de mais cinquenta pessoas erguiam bandeiras de partidos políticos distintos, caía em mim quando percebi, que se fosse feita recruta de aldeia por parte de determinada facção, seriam entre aqueles que empunhariam as armas será que não foi mesmo assim?

Vizinhos a lutarem e a morrerem combatendo uns contra outros, por uma coisa que ao andar na estrada me incomodava. Que coisa? Se hoje não têm mais do que tinham antes, para além dos sobreviventes que trazem chagas de balas sem condecoração nem recompensa monetária ou reconhecimento.

Chegado ao Huambo deparei-me com uma cidade limpa e que tem um certo charme chamo-lhe assim, a simpatia de algumas pessoas augura um bom sentir, e estar, é o famoso planalto central onde o povo é mais educado e à vontade de aprender a percorrer o caminho da educação junta-se-lhe um trago de humildade.

Combinado com a beleza das senhoras da região cria uma atmosfera de atitude e saber estar um Alentejo com alto nível digamos, com mais de mil metros acima do nível do mar. Esse ajuste de altitude provocou-me ligeiras hemorragias ao nível do nariz que só se soltou quando descemos de novo para Luanda.