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segunda-feira, novembro 22

isso foi ontem, hoje é hoje

vai-se acabando a normalidade, em África tudo é mais intenso vou abandonando a razão devagar devagarinho, em todos os dias que aqui vivi posso concluir que nunca me sinto igual não tem dias iguais tudo é aventura mesmo sem se querer a vida tem graça mesmo sem se rir, mas ri-se com gosto muito e alto pra se saber que estamos e sabemos rir pois aqui a felicidade é uma arma pra quem nunca usou, precisou nem faz ideia e a tesão é o vinagre que dilui essa rigidez desse azeite que é lento espesso doce, mas indispensável..


não há impermeáveis para a chuva de emoções que carregam as ruas de Luanda, as paixões, os sorrisos gratuitos, a fome de beber fanta, a sede de chupar tambarino, os pés imundos tudo nos toca, nos faz sentir a terra a lama, os cabos eléctricos soltos pela marginal, a família de improviso que faço por andar à europeu, diga-se passada larga a decidir a todo o instante metem-se comigo "vai só mais devagar pra te vermos bem" como que a querer mais de mim mais de mim, como não nos tocar assim? a kizomba as mulatas as pretas lindas tímidas no olhar que esconde fogo e desejo, como não? que tesão.


..eu tive essa necessidade, de sentir que posso fazer melhor e tentar estar à altura desse momento.. peço-te para esperar um pouco para me concentrar em agarrar esse momento mas o tempo, ele não espera e eu quero agarrá-lo de qualquer forma, lá vou eu! e essa mudança não veio, ou veio mas não com estrelas ou musica no ar a mudança veio e à sua maneira fez-se sentir.


mas não sou eu és tu quem vai traçando esse destino, desenhando essa dança, arquitectando o momento quente do amar, limando arestas, rebocando feitios desfeitos pela magia de acreditar que nada é impossível.. se formos dois sempre que pensemos, sempre dois tudo o que seja mal ou pecado irá ser perdoado por nós - se formos dois.. diz-me que fazer? vou tentar avançar esperando aceso tranquilo. que medo este.


dá me um testemunho do que isto está a ser agora para a eternidade, conduz-me nessa harmonia ritmada em tons de por do sol temperado com a nossa saliva e água salgada do mar, com rés sem dós menores só notas maiores fartas como a tua a boca, azul como o teu, meu.


dizer que te quero calado, dizer que te não quero perseverante em te querer pra mim, cantado à guitarra ou à capela:

- ..quero-te, quero-te, quero-te, quero-te tanto.. agora, enquanto o meu corpo quente arrefece para não te queimar.

sábado, novembro 20

alguém que não eu

convidei-a para me encontrar

para vir ter comigo, só o fiz porque senti que sim, ali uma amiga, mulher..

mas logo algo nela se fechou (situação recorrente)

presa no seu corpo a alma nunca a libertou

para assim poder vir ao meu encontro, livre


eu sempre causo estes estados de alerta,

matando possíveis amores "promissores" logo à nascença..

são cada vez mais, as vezes que falho em trazer a mim quem preciso.


dou comigo calado, resignado e frustado

a ver repetir-se a lenga-lenga

ela partir de mãos dadas com outro alguém, que não eu.