Número total de visualizações de página

quinta-feira, outubro 18

Diariamente

Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora

Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria

Para o presente da noiva: marzipã
Para adidas: o conga nacional
Para o outono: a folha, exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois

Para fazer uma toca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã

Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: melancia
Para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen

Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado

Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagi
Para a comida das orcas: krill

Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:
Diariamente.

terça-feira, outubro 16

Apaixonadamente


Definir-te é tão fácil, é tão fácil de gostar de ti, tão fácil de te entender, fácil de te querer, muito tempo, uma vida ou um instante, doce, terno, meigo e forte;o).

Que línguas falas? Que não é aquela a que estou acostumado a ouvir, mas quando fala é-me tão fácil compreender, porque te quero tocar.

Que forma de andar, essa!? Que logo percebo, julgo com carinho, e antecipo com paixão, me faz aquecer as mãos, e esquecer que o tempo tem camadas, de momentos tão bons como agora.

Esse teu olhar, é lindo de enfrentar, não me deixa vacilar, faz-me continuar…


terça-feira, outubro 2

Certamente II

















Se chovia? Já não me recordo, apenas me lembro que ia a passear distraído como é habitual, numa dessas ruas tentando apreciar as coisas que acontecem todos os dias, ver pessoas, ver caras.

E foi num dia assim, simples e normal, que do nada ela veio ter comigo, era linda, que feições, um anjo na terra, olhos azuis, cabelo comprido, ondulado loiro, o nariz, de quem gosta de aprender, o corpo, que corpo as formas de mulher perfeitas.

Disse-me que gostava de mim, de uma forma abstracta, fiz seiscentos quilómetros só para a poder ver ao perto, de perto, só para a conhecer.

Podia muito bem ser a mulher dos meus sonhos, a mulher da minha vida, lembro-me de quando era mais novo, querer ser o homem de uma mulher assim, que se deixa consumir pelos prazeres da vida, lembro-me bem, e mais vincada se tornava a ideia, á medida que o tempo passava e os nossos braços se tocavam, inocentemente, sem qualquer malícia no pensar, apenas se tocavam, como a chuva toca nas penas de um pardal, o nossos olhares, esses já não eram tão puros, mas também…

Já não somos nenhuns miúdos, ou não, quem sabe, eu senti-me um puto outra vez, tive de me decidir, como se não houvesse mais nada no mundo, que aquelas duas opções:

- Querer o que deve ser querido e almejado, num mundo de consumo e extravagância, de elegância e glamour, ou ir mais longe e compreender o impensável.

… Há apenas uns pares de anos atrás, quem era? O que eu sou, descobri o que eu sou, isso não acontecia se fosse outra a idade, o calo, a dor, de quem precisa de se sentir realmente amado, não sei de onde vinha essa força, talvez da minha infância reguila e determinada em ser puto a todo o custo, mesmo quando queriam que crescesse e fosse já esperto, para dar esperança, o nome da minha mãe, Esperança, mas sei o que descobri, que eu é que sou ingénuo, quase a roçar a estupidez, não dos actos em si, mas do mal que provocam, no período que se segue, como um set de forte ondulação, que sem descanso me abana a estrutura, tal qual um tsunami.

Mas sei que hoje teriam orgulho em mim, os meus, não foi nada de especial, eu sei, mas se somos todos escravos do que precisamos como diz o Jorge Palma, sei do que eu não sou escravo, isso eu sei, gosto de correr ao ar livre, de olhar as pessoas de frente, sejam elas quem forem, de passear de bike na floresta do Ludo, de fazer bifes de vaca ao pequeno-almoço, de olhar os amigos de frente, de dizer o que sinto, por muito que isso nos custe, de saber que o mundo é selvagem por natureza, e que em cada homem, está um responsável, por uma fatia de crença, confiança, amor, de humanidade.

O rir e o chorar, quem o faz sabe do que eu estou a falar, é um dom, nos dias que correm, rir de verdade, sabendo que isso é importante, contar como correu o dia, fetiches sexuais, desgraça, miséria, o mundo somos nós, e isso, essa merda do Iraque, a poluição, o consequente degelo, somos nós, quem mais senão nós, vive-se em época de consciência, por muito que nos custe, os espertos, são os mais parvos, sei que o são, quando me sento a ver o mar, e posso sonhar devagar…

Eu sei que sim, certamente que sim, eu sinto cá dentro, que sim, eu sinto, sim...