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domingo, agosto 31

Bala de Canhão


Tipo bala de canhão sem moral de felicidade sem garra de pólvora, pólvora seca demais para a sede com que me encontrei no fundo dos copos cheios, encontrei?

Não estou tão seguro disso, agora vazios de imperial, em cada olhar que me perdia sem saber que te procuro com um pouco do medo que tanto lutei para enfrentar, ansioso que acabe essa dor.

Diz-se por aí que sem levantar o pé estamos condenados ao chão, mas não. Foi neste chão que vi, que me vi ver-te chegar, bem, sem pressas de pressas sem que isso do tempo tivesse falado até então.

Agora somos só dois, dois pontos de luz distante ligados por uma semi-recta de recordação desenhada a calor carinho amizade ternura amor e paixão, uma ponte de duas margens de terra e gente de bem de bom coração, sei que não estão no fundo de copo algum pois hoje dói-me a barriga o estômago da perna o tendão de Aquiles e mais qualquer coisa de saúde esquecida de sal de menos de água – desidrata.

O mais que possuo está dentro de quem tem parte de mim, família amigos lugar paisagens livros a que me apresentei antes de os conhecer estranhos sedentos de voltar á carga forçando o caminho, que temos que ir percorrendo, mas como?

Como!? Como!? Como!? Como!? Ainda tenho o Ludo? A bicicleta… mas nã… sei que mereço…mereço???

sábado, agosto 30

No ardor da antecipação

Encontro no ardor da antecipação, o estado de – superior qualidade – e é real, vejo-te como inteira, mãos pés pernas cabelo olhos boca o teu pescoço sobre a tua cabeça suavemente inclinada,

procuro mais sinais de aceitação, tento confiar, parece que rezo, e ferozmente novamente brilhante, brilho reluz, passo a crer de fé, acredito no meu sossego no interior, leio-te os compassados ritmados gestos, embrulho-me em carinho, sofro por quem já esqueci,

dou um “passo” na tua direcção, massajo-te o pescoço, sobre a tua cabeça docemente inclinada para dentro de ti, sei que não vai ser melhor, escuto o meu ofegante respirar, não, não ouço o teu,

tento segurá-lo, qual cavalo por domar, a excitação passa a ser o fogo que morremos a controlar, sei que não vai melhorar, para quê, o agora é já, e esse estado de alteração é inopinado, mas trabalhado, com ou sem preocupação ou determinação de um final feliz. Vai como se diz por aí: acontece… a quem?

Aos puros a que a isso se dedicam, aos que estão preparados a dar

terça-feira, agosto 5

4 estações


Escarpas que se deitam, colhendo os frutos que traz o verão, o sol, a energia deste, o ar quente de esperança, de promessa, já confirmada.

...é raro ter-se o que se quer, nestas águas turvas e amaldiçoadas de Adamastor…

Que historias se escondem por detrás de cada olhar teu? O brilho que tanto procuro, será que já o perdi no pêndulo do tempo, do balanço, no equilíbrio que se nos roubam, tal chão regado a azeite – puro alentejano, onde está aquele brilho seria coisa de gente esguia e fútil!?

Um pouco do medo de quem tudo tem – empurro com todas as minhas forças este chão, guardo cada expiração para mim, num esforço tremendo de contenção de fraqueza, não me dói nada, agora seria capaz de repetir esta série, umas sessenta vezes durante uma tarde, sem que se me fosse alterado o estado, do espírito. Ámen.

Em frente procuro essa cadência que transborda de vida, conheço o meu corpo neste sacrifício fácil, justo, aceite pela generalidade, um politicamente correcto.

Encontro-o em breves mas intensos segundos – nada é tão duradouro – realizo, abraço com o olhos vivos de alegria e sustento, analiso o que só eu vejo, o meu ângulo morto, e queimo-o de vida, cuspo as correntes que me prendem, sinto ainda na minha boca o sabor a ferrugem deste ferro que em nada se assemelha á prisão a que muitos me submetem, ou assim tentam…

Claro que gosto de fruta, não me importa, que seja tua, essa característica, o meu gosto é o teu gosto, o meu abraço será o teu, subo, a ladeira, íngreme. Nada de elevador, meio-dia e este sol quente, que calor, (pensa), é tanto (não sou capaz) o calor…

Posso tentar crescer um pouco mais, se fores capaz do que eu era, ainda há não muito tempo atrás, lanço-te o desafio, eu aplicar-me-ei numa nova e difícil missão, nem que para isso viremos as quatro estações.

Encontramo-nos aqui daqui a quatro estações, mesma hora, o mesmo olhar, debaixo do mesmo sol, que tem tanto, que traz tanto calor!