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quarta-feira, abril 16

A Minha Rua


Fazia calor pra caraças, e eu e a minha mana num lugar novo, totalmente estranhos naquele novo universo, na nossa Africa a nossa Luanda, minha mãe foi connosco no primeiro dia de aulas, eu ia pra terceira classe, a minha irmã estava já na quarta, era a ultima classe antes de ir embora, abandonar a primária, e conhecer as complexidades do mundo e das ciências exactas.

Enquanto seguia a minha mana ia reparando nos pioneiros a jogar á “bola”, sim porque não era uma bola, ou melhor, raramente havia bola, foi algo que fui descobrindo ao longo do tempo.

Eu ainda estava atordoado com o facto de ter abandonado, a minha escolinha em Faro, onde tudo se estava conjugando, passava os intervalos a olhar pra longe, havia um sitio que descobri, era o meu cantinho especial, no meio da algazarra que era o recreio, só ouvia o mar, pois era pra onde me levava a vista, para a Ilha de Luanda, ali ficava a comer o lanche que me haviam preparado em casa, bebia agua do meu cantil, e nem co’a minha mana partilhava esse lugar, que egoísta fui, talvez a tenha levado a conhecer mas no fundo ela também sabia, que não era o que nos precisávamos, tinha o saber de quem é mulher já africana, quente e irmã, como não gostar? Só se for doido!

Fui-me desligando de mim aos poucos, mas quando me soltei fui também eu um pioneiro que cantava o hino com orgulho todas as manhãs, partilhava o meu lanche com o máximo de pessoas que conseguia.

O recreio tornou-se um jardim virgem, por explorar, andei à porrada, fiz amigos, joguei à bola, comi tambarino agora sei que lhe chamam tamarindo, directamente da árvore, gigante essa àrvore, que tempos esses nem sei como hoje, em Portugal neste momento em que a minha vida ainda complicada, me fui ligar a isso, é o que dá ver as fotos daquela marginal, onde corri pela primeira vez e nunca mais parei…